Prof. D.Sc. Tadeu Miranda de Queiroz
Na décima nona semana de monitoramento, completamos 133 dias de registros pluviométricos no município de Nova Mutum/MT, período que abrange o ciclo principal da cultura da soja. Em campo, observa-se que muitos agricultores já concluíram a colheita da soja e iniciaram o plantio do milho de segunda safra, caracterizando o atual momento como uma fase de transição entre as safras de grãos no Centro-Oeste.
Verificou-se um aumento expressivo do volume de chuva acumulada em relação à semana anterior, condição que tende a favorecer as áreas já implantadas com milho. Por outro lado, para os produtores que ainda estão em fase de colheita da soja, o excesso de umidade pode representar um inconveniente operacional.

Em comparação com a semana anterior, quando o volume acumulado não ultrapassou 90 mm, observa-se agora, na região central do município, próxima ao perímetro urbano, o registro de até 125 mm. Na maior parte do território municipal (áreas em verde no mapa), a precipitação acumulada variou entre 60 e 80 mm, com média em torno de 10 mm por dia, valor suficiente para gerar excedente hídrico, favorecendo o escoamento superficial e a recarga do lençol freático.
Na figura abaixo apresenta-se a dinâmica da precipitação registrada nos dias 20 e 21 de janeiro, cuja soma totalizou 112 mm. No dia 20, a chuva teve início às 15 h e se estendeu até as 20 h, totalizando cerca de 6 h de duração, com destaque para um pico de intensidade de 44,20 mm na segunda hora do evento.

Já no dia 21, a precipitação ocorreu de forma mais distribuída ao longo do tempo, embora o volume acumulado tenha sido praticamente o mesmo (diferença de apenas 0,40 mm). O evento teve início à 0 h e se estendeu até as 3 h, com uma pausa de 1 h e retomada às 5 h, prolongando-se até as 11 h da manhã, além do registro de um leve chuvisco de 0,60 mm por volta das 15 h.
Sob a ótica hidrológica aplicada à agricultura, os eventos de chuva registrados na semana evidenciam dois padrões distintos de precipitação. A chuva concentrada, observada no dia 20 de janeiro, ocorreu em curto intervalo de tempo e com elevada intensidade, favorecendo o escoamento superficial e reduzindo a eficiência da infiltração, especialmente em áreas com solo já úmido ou com baixa cobertura vegetal, com possível impacto no carreamento de solo e nutrientes, entre outros.
Por outro lado, a chuva mais espaçada e distribuída ao longo do dia 21 apresentou maior potencial de infiltração, contribuindo de forma mais eficiente para a reposição de água no solo e para a recarga hídrica. Esse padrão é mais favorável às áreas já implantadas com milho de segunda safra; entretanto, para lavouras de soja ainda em fase de colheita, o excesso de umidade pode dificultar as operações no campo e demandar maior atenção ao manejo do solo e do tráfego de máquinas.
Para acompanhar como tem se comportado a chuva em Nova Mutum desde o início da temporada, em 14 de setembro, acesse o site da www.aguanamedida.com.br e confira os boletins semanais com dados atualizados.









