Município de Nova Mutum – Mato Grosso
28ª Semana de Observação (22 a 28 de março de 2026)

Prof. D.Sc. Tadeu Miranda de Queiroz

O presente boletim técnico tem como objetivo apresentar uma leitura integrada do regime pluviométrico registrado no município de Nova Mutum ao longo da 28ª semana de monitoramento, compreendida entre os dias 22 e 28 de março de 2026. O mapa evidencia um gradiente pluviométrico bem definido, com maiores acumulados na porção oeste e redução progressiva dos volumes em direção ao centro-sul do município.

A partir da espacialização dos dados de precipitação, buscou-se evidenciar não apenas os volumes acumulados, mas também a sua distribuição no território, permitindo identificar padrões, gradientes e possíveis áreas de maior ou menor concentração de chuva. Essa abordagem contribuiu para uma compreensão mais ampla das dinâmicas atmosféricas atuantes no período, subsidiando análises técnicas e tomadas de decisão no contexto local.

As informações apresentadas neste boletim foram obtidas a partir de medições realizadas em campo por pluviômetros integrantes da rede de Hidrotelemetria da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e Estação Meteorológica Automática instalada na Área Experimental do Curso de Agronomia do Campus Universitário da UENMAT de Nova Mutum, que fica no perímetro urbano. Após a coleta, os dados passaram por tratamento técnico e aplicação de métodos de interpolação espacial, permitindo a construção de uma superfície contínua de precipitação e uma representação espacial coerente das chuvas no município.

A análise da distribuição pluviométrica em Nova Mutum, no período de 22 a 28 de março de 2026, evidencia um padrão espacial bem definido, marcado por um gradiente de precipitação com variações significativas entre os diferentes setores do território.

Os maiores acumulados foram registrados na porção oeste e noroeste do município, onde os volumes atingiram as classes mais elevadas do período, variando entre 60 e 80 mm. Essa condição indica maior intensidade e/ou persistência dos eventos pluviométricos nessas áreas, refletindo uma atuação mais expressiva dos sistemas meteorológicos durante a semana.

Na faixa imediatamente a leste dessa região, observa-se uma zona de transição com acumulados entre 40 e 60 mm, formando um corredor longitudinal que acompanha o sentido norte-sul do município. Esse padrão evidencia uma distribuição relativamente contínua das chuvas, porém com redução gradual da intensidade à medida que se avança para o interior do território.

Na região central, incluindo áreas próximas ao perímetro urbano, predominam acumulados entre 30 e 40 mm, caracterizando uma condição intermediária de precipitação. Esses volumes indicam uma regularidade pluviométrica, sem ocorrência de eventos extremos, favorecendo condições relativamente equilibradas de umidade do solo.

Por outro lado, os menores volumes foram registrados na porção sul e sudeste do município, onde os acumulados ficaram entre 20 e 30 mm, com pontos localizados inferiores a esse intervalo. Esse comportamento indica uma menor atuação dos sistemas de chuva nessa região ao longo da semana.

Do ponto de vista agrícola, o cenário observado apresenta implicações importantes. Nas áreas com maiores acumulados, especialmente no oeste e noroeste, o excesso de umidade pode dificultar as operações de colheita da soja ainda em andamento, aumentando o risco de perdas por deterioração dos grãos e limitações no tráfego de máquinas. Em contrapartida, essas condições favorecem a recomposição da umidade do solo, o que pode beneficiar o estabelecimento inicial do milho safrinha.

Nas regiões centrais, onde os volumes foram moderados, observa-se um cenário mais equilibrado, com condições geralmente favoráveis tanto para a finalização da colheita quanto para o início da semeadura da segunda safra, desde que respeitadas as condições operacionais do solo.

Já nas áreas de menor precipitação, especialmente ao sul e sudeste, a redução dos volumes pode favorecer o avanço das operações de campo, principalmente a colheita. No entanto, para a implantação do milho safrinha, é necessário atenção quanto à disponibilidade hídrica no solo, uma vez que acumulados mais baixos podem limitar a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas, caso não ocorram novas precipitações nos dias subsequentes.

De maneira geral, o padrão observado revela uma distribuição espacial heterogênea, porém organizada, com maior concentração de chuvas na porção oeste e redução progressiva em direção ao sul e sudeste. Esse comportamento é relevante para o planejamento agrícola, especialmente neste período de transição entre a colheita da soja e a implantação do milho safrinha.

Todo o processo de consolidação, análise e espacialização dos dados foi conduzido pela equipe de Hidrometeorologia da UNEMAT, garantindo consistência metodológica e confiabilidade às informações apresentadas neste boletim.

Para saber mais visite notícias anteriores em www.aguanamedida.com.br.

Agradecimento: à Bolsista IC Eduarda Gabrielle Graebin Galdino do Curso de Agronomia da UNEMAT, polo Aripuanã, pela organização dos dados.

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