Prof. D.Sc. Tadeu Miranda de Queiroz

A 30ª semana de monitoramento pluviométrico em Nova Mutum foi marcada por um padrão espacial bem definido, caracterizado por um gradiente consistente de aumento dos volumes de precipitação no sentido noroeste-sudeste. A distribuição das chuvas ao longo do período evidencia uma reorganização dos sistemas atmosféricos, resultando em maior concentração de precipitação na porção leste e sudeste do município, enquanto áreas do norte e noroeste apresentaram volumes mais modestos.

O mapa de distribuição espacial da chuva ilustra esse comportamento por meio de classes de precipitação e isoietas, destacando principalmente as linhas de 20 mm, 30 mm e 40 mm. Observa-se uma configuração relativamente contínua das faixas pluviométricas, com transições suaves entre as classes, o que indica ausência de eventos extremos localizados, mas sim uma distribuição mais organizada das chuvas no território. Destaca-se ainda um núcleo mais úmido no extremo sudeste, onde os acumulados atingem as classes mais elevadas do período.

De forma mais detalhada, verifica-se que grande parte do centro-oeste do município foi dominada por acumulados entre 20 e 30 mm, configurando o padrão predominante da semana. Essa faixa representa uma condição de chuva moderada, suficiente para manutenção da umidade superficial do solo, porém sem promover reposições mais significativas no perfil hídrico. Já na porção norte e noroeste, os volumes foram ainda mais reduzidos, variando entre 10 e 20 mm, indicando menor atuação dos sistemas precipitantes nessa região.

Em contraste, a metade sul e, principalmente, o setor sudeste apresentaram um incremento expressivo nos acumulados, com valores entre 30 e 50 mm, atingindo pontualmente a classe de 50 a 60 mm no extremo leste. Essa faixa mais úmida forma um corredor bem definido, sugerindo maior persistência e organização dos eventos de chuva nessa região ao longo da semana. Esse comportamento reforça a heterogeneidade espacial já observada em semanas anteriores, embora agora com deslocamento do núcleo de maior precipitação para o leste do município.

Do ponto de vista agrícola, esse padrão assume grande relevância, considerando que o milho safrinha se encontra, em grande parte das áreas, em fase de floração e início de enchimento de grãos (estágio altamente sensível à disponibilidade hídrica). Nas regiões sul e sudeste, onde os volumes foram mais elevados, as condições são bastante favoráveis ao desenvolvimento da cultura, garantindo adequada oferta de água para os processos fisiológicos críticos dessa fase. No entanto, acumulados mais elevados podem, pontualmente, aumentar a umidade foliar, favorecendo o surgimento de doenças fúngicas, especialmente em áreas com menor ventilação.

Por outro lado, nas áreas centrais e, principalmente, no norte do município, onde os volumes foram mais modestos, o cenário exige maior atenção. Embora os acumulados entre 20 e 30 mm ainda contribuam para a manutenção da cultura, a continuidade de semanas com precipitações abaixo da demanda pode resultar em restrição hídrica, impactando diretamente o potencial produtivo do milho, sobretudo no enchimento de grãos. Nessas condições, a variabilidade espacial da chuva passa a ser um fator determinante dentro do próprio município.

De maneira geral, a 30ª semana consolida um padrão de distribuição espacial contrastante, porém organizado, com clara diferenciação entre setores mais e menos favorecidos pelas chuvas. Esse comportamento reforça a importância do monitoramento contínuo e da análise espacial da precipitação como ferramenta de suporte à tomada de decisão no campo.

Como síntese, observa-se que, embora não tenham ocorrido eventos de chuva intensa generalizada, a distribuição dos acumulados foi suficiente para beneficiar parte significativa das áreas agrícolas, especialmente no sul e sudeste do município. No entanto, a persistência de volumes mais baixos no norte acende um sinal de atenção para as próximas semanas, sendo fundamental o acompanhamento das condições meteorológicas para garantir o adequado desenvolvimento das lavouras em fase crítica.

Todo o processo de coleta, tratamento, análise e espacialização dos dados pluviométricos foi conduzido pela equipe de Hidrometeorologia da UNEMAT, assegurando rigor técnico, consistência metodológica e confiabilidade às informações apresentadas neste boletim.

Para saber mais visite notícias anteriores em www.aguanamedida.com.br.

Agradecimento: à Bolsista IC Eduarda Gabrielle Graebin Galdino do Curso de Agronomia da UNEMAT, polo Aripuanã, pela organização dos dados.

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