Prof. D.Sc. Tadeu Miranda de Queiroz[1]
Eduarda Gabrielle Graebin Galdino[2]

Este boletim técnico apresenta uma análise da distribuição espacial e temporal da precipitação registrada no município de Nova Mutum entre os dias 10 e 16 de maio de 2026. Os dados observados na 35ª semana indicam redução expressiva dos acumulados pluviométricos, cenário compatível com a dinâmica climática sazonal da região, caracterizada pela transição para condições progressivamente mais secas em decorrência do avanço do outono e da aproximação do período de estiagem típico do inverno no Brasil Central.
A distribuição espacial da precipitação no município de Nova Mutum durante o período de 10 a 16 de maio de 2026 evidencia predomínio de baixos acumulados pluviométricos em praticamente toda a área municipal. Observa-se que a maior parte do território registrou volumes entre 0 e 2 mm, representados pela coloração vermelha no mapa. Apenas uma pequena porção localizada no setor sudoeste apresentou precipitações ligeiramente superiores, variando entre 2 e 4 mm. O padrão observado confirma a expressiva redução das chuvas ao longo da 35ª semana, caracterizando a consolidação da transição entre o período chuvoso e a estação seca na região.
Para a agricultura de segunda safra, especialmente as áreas cultivadas em sequeiro e ainda dependentes da reposição hídrica pelas chuvas, o cenário requer atenção. A baixa ocorrência de precipitação reduz a disponibilidade de água no solo, podendo comprometer o enchimento de grãos e o desenvolvimento final das lavouras implantadas mais tardiamente. Embora os volumes registrados possam não representar impacto severo imediato em áreas com boa retenção de umidade, a persistência desse padrão de estiagem tende a elevar o risco de déficit hídrico, principalmente para culturas em fases mais sensíveis do desenvolvimento.
Em termos agronômicos, os volumes pluviométricos registrados entre 2 e 4 mm são considerados insuficientes para promover reposição hídrica efetiva no solo, uma vez que não compensam sequer a evapotranspiração potencial diária da região, estimada em aproximadamente 5 mm dia⁻¹ nesta época do ano. Dessa forma, o acumulado observado ao longo de toda a semana corresponde a apenas uma fração da demanda hídrica das culturas, evidenciando um cenário de déficit hídrico progressivo. Nessas condições, lavouras de segunda safra ainda dependentes de precipitação passam a apresentar maior vulnerabilidade, sobretudo em solos de menor capacidade de retenção de água e em cultivos implantados fora da janela preferencial.
Todo o processo de coleta, tratamento e espacialização dos dados foi conduzido pela equipe de Hidrometeorologia da UNEMAT, utilizando métodos de interpolação para garantir o rigor técnico e a confiabilidade das informações apresentadas.
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Com a aproximação do inverno, observa-se o encerramento gradual do período chuvoso e o estabelecimento da estação seca na região, caracterizada por baixos índices pluviométricos, redução da umidade relativa do ar e ocorrência de temperaturas mais amenas, especialmente durante a noite e nas primeiras horas da manhã. Diante desse padrão climático já consolidado para esta época do ano, o monitoramento da precipitação tende a perder relevância operacional, uma vez que os volumes de chuva passam a ser reduzidos ou inexistentes na maior parte das estações pluviométricas monitoradas.
Dessa forma, a partir deste período e até o retorno da temporada de chuvas, os boletins semanais passarão a priorizar o acompanhamento de outras variáveis meteorológicas de interesse agrícola e ambiental, com destaque para temperatura do ar, umidade relativa, velocidade do vento e demais condições atmosféricas associadas à estação seca.
A Estação Meteorológica Automática da UNEMAT, localizada na Área Experimental do Curso de Agronomia do Campus de Nova Mutum, registrou variação significativa no comportamento da temperatura média do ar, da umidade relativa e da velocidade do vento, conforme dados apresentados a seguir.

Durante o período de 10 a 16 de maio de 2026, observou-se elevação gradual da temperatura média do ar no município de Nova Mutum, com valores variando de 17,40 °C a 26,47 °C ao longo da semana. A umidade relativa do ar apresentou comportamento oscilante, mantendo-se predominantemente acima de 70%, com maior valor registrado em 11/05 (89,0%) e menor em 13/05 (71,79%). Em relação ao vento, verificaram-se maiores velocidades no início da semana, especialmente em 11/05, quando a média atingiu 4,56 m s⁻¹, seguidas por redução progressiva nos dias posteriores. De forma geral, os dados meteorológicos indicam a consolidação das condições típicas de transição para o período seco, caracterizadas pela redução da umidade atmosférica, aumento gradual das temperaturas e diminuição da intensidade dos ventos ao final da semana.
O aumento da velocidade do vento esteve associado à redução da temperatura do ar, condição que pode influenciar diretamente a agricultura ao alterar a demanda evaporativa da atmosfera e o balanço hídrico das culturas durante a segunda safra.
Agradecimento: À Daniela Moreira Costa Araújo, responsável pela coleta de dados da Estação Meteorológica Automática.
[1] Prof. D.Sc. Curso de Agronomia, Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT, Campus de Nova Mutum.
[2] Discente do Curso de Agronomia, Polo Aripuanã/MT, UNEMAT, Bolsistas de Iniciação do Desenvolvimento Tecnológico e Inovação.









