Prof. D.Sc. Tadeu Miranda de Queiroz

O monitoramento pluviométrico conduzido pela equipe de Hidrometeorologia da UNEMAT em Nova Mutum/MT registrou volumes acumulados elevados e episódios de chuva de forte intensidade, sobretudo no perímetro urbano. As altas taxas horárias favoreceram o rápido escoamento superficial e resultaram em pontos de alagamento[1] em diferentes áreas da cidade, situação amplamente observada e relatada pela população.

Nesta edição do boletim técnico, adotamos um novo modelo de mapa para apresentar não apenas o comportamento da chuva no município de Nova Mutum, mas também em seu entorno regional. As tonalidades em azul indicam maiores volumes acumulados de precipitação, enquanto as cores mais quentes (amarelo a vermelho) representam áreas com menores totais de chuva.


[1] Alagamento: Alagamento é o acúmulo temporário de água na superfície do terreno quando a intensidade da chuva ou o volume escoado excedem a capacidade de infiltração do solo e/ou de drenagem do local.

O mapa é resultado da interpolação espacial dos dados provenientes de 12 estações pluviométricas com registros consistentes, incluindo a Estação Meteorológica Automática da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). Os pontos brancos indicam a localização dessas estações. Como em todo processo de interpolação, a confiabilidade das estimativas tende a diminuir à medida que se aumenta a distância em relação aos pontos de medição; ainda assim, trata-se de uma técnica amplamente utilizada e adequada para identificar padrões espaciais e zonas de maior ou menor concentração de chuva.

Observa-se a formação de um núcleo de maior acumulado pluviométrico na porção centro-sul do município, nas proximidades do perímetro urbano de Nova Mutum, onde os totais se aproximam dos valores máximos do período. Em contraste, setores ao norte, nordeste e pontos mais periféricos do mapa registraram acumulados inferiores, evidenciando a variabilidade espacial típica de chuvas convectivas de verão.

No próximo mapa será apresentado o acumulado diário da 21ª semana hidrológica (01/02/2026 a 07/02/2026), permitindo identificar com maior detalhe os dias e as áreas de maior concentração da pluviosidade na região.

Observa-se que a precipitação foi irregular no tempo e no espaço, típica de sistemas convectivos de verão. Não houve chuva bem distribuída ao longo da semana; ao contrário, os acumulados se concentraram em poucos episódios mais intensos.

Nos dias 01, 03 e 04/fev, predominam cores quentes em praticamente toda a área, indicando baixos volumes ou ausência de chuva significativa. O dia 02/fev apresenta um núcleo isolado de maior intensidade na porção centro-norte/leste, caracterizando evento localizado, cujo epicentro está na cidade de Lucas do Rio Verde/MT.

Os maiores acumulados da semana ocorreram em 05 e, principalmente, em 06/fev, quando se observa a formação de um núcleo mais amplo e intenso próximo ao perímetro urbano de Nova Mutum, explicando o volume expressivo e os registros de alagamentos já mencionados. No 07/fev, a chuva perde abrangência, restando apenas precipitações pontuais e de menor magnitude.

Ou seja, o total elevado observado no mapa semanal é resultado principalmente de 1 a 2 dias chuvosos, e não de precipitação contínua ao longo da semana, fato que ajuda a explicar os impactos hidrológicos, como escoamento rápido e alagamentos ocorridos.

A estação pluviométrica automática da UNEMAT registra a precipitação em diferentes escalas temporais (diária, horária e minutária). A figura a seguir apresenta o detalhamento horário da chuva em Nova Mutum nos dias 05 e 06 de fevereiro, evidenciando a concentração do volume acumulado em poucas horas, com picos de alta intensidade responsáveis pela maior parte do total do período.

Observa-se que, no dia 05/02, a chuva ocorreu em dois picos distintos: o primeiro entre 13h e 15h e o segundo entre 18h e 19h, com intensidade máxima de 26,38 mm/h no evento do final da tarde.

No dia 06/02, a precipitação concentrou-se principalmente entre 14h e 17h, totalizando aproximadamente 65 mm no período, com intensidade máxima de 39,09 mm/h. As duas primeiras horas desse intervalo registraram acumulados elevados e consecutivos (23,84 e 39,09 mm/h), caracterizando um episódio de chuva forte a muito forte.

Considerando que intensidades entre 10 e 50 mm/h são classificadas como fortes, conclui-se que ambos os dias apresentaram picos de chuva intensa. Esses valores, especialmente quando concentrados em curto intervalo de tempo, favorecem a geração de escoamento superficial rápido, o que ajuda a explicar os registros de alagamentos observados no perímetro urbano.

Na próxima figura apresenta-se o detalhamento da precipitação em resolução minutária para os dias 05 e 06 de fevereiro, permitindo visualizar a distribuição da chuva minuto a minuto e identificar os períodos de maior concentração e intensidade dos eventos.

Observa-se uma clara concentração da precipitação no dia 06, com o evento ocorrendo menos de 24 horas após as chuvas registradas no dia anterior. Esse encadeamento reduziu o tempo de recuperação hídrica do solo, que já se encontrava úmido ou próximo da saturação. Como consequência, a nova chuva (de forte intensidade e maior duração) encontrou menor capacidade de infiltração, favorecendo o escoamento superficial, o acúmulo de água em áreas mais baixas e o aumento do risco de alagamentos. Trata-se de uma combinação de fatores que potencializa os impactos hidrológicos, mesmo quando os volumes individuais não são extremos.

Por fim, apresenta-se a curva de precipitação acumulada para os dias 05 e 06 de fevereiro, permitindo visualizar a evolução temporal da chuva e identificar os períodos de maior concentração do volume precipitado em cada evento.

A análise das curvas acumuladas evidencia comportamentos distintos entre os dois dias: enquanto 05/fev apresenta incrementos intermitentes e volumes moderados, 06/fev mostra elevação rápida e contínua do acumulado, indicando concentração de grande parte da chuva em curto intervalo de tempo. Esse padrão favorece menor infiltração e maior geração de escoamento superficial, especialmente considerando que o solo já se encontrava úmido pelo evento anterior, o que contribui para potencializar alagamentos e sobrecarga do sistema de drenagem urbana.

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