Prof. D.Sc. Tadeu Miranda de Queiroz
O monitoramento pluviométrico realizado pela equipe de Hidrometeorologia da UNEMAT no município de Nova Mutum/MT completou 20 semanas de acompanhamento contínuo. No período de 25 a 31 de janeiro de 2026, observou-se distribuição espacial bastante heterogênea das chuvas, com clara concentração dos maiores acumulados na porção centro-sul do município.
Os volumes mais elevados foram registrados nas proximidades do perímetro urbano de Nova Mutum, onde as isoietas indicam totais entre 140 e 160 mm, configurando o núcleo de máxima precipitação da semana. A partir dessa região, os acumulados decrescem gradualmente para as bordas do município, com faixas entre 120, 100 e 80 mm se estendendo para sul e sudeste. Já as áreas mais ao norte e noroeste apresentaram os menores registros, variando entre 40 e 60 mm. Mesmo sendo os menores valores do período, esses volumes ainda representam cerca de 7 mm diários, índice considerado satisfatório para a manutenção da umidade do solo e das culturas em campo.

De modo geral, o padrão espacial sugere a atuação de chuvas convectivas localizadas, típicas da estação chuvosa, resultando em forte variabilidade dentro do próprio município e reforçando a importância do monitoramento distribuído por estações pluviométricas para melhor caracterização das condições hídricas regionais.
A estação pluviométrica da UNEMAT, campus de Nova Mutum, registrou acumulado semanal de 121,66 mm durante a 20ª semana de monitoramento, com ocorrência de chuva em quatro dos sete dias avaliados. A distribuição temporal foi irregular, com precipitações concentradas em poucos dias e intervalos de estiagem entre eles.
O maior acumulado ocorreu em 26/01, quando foram registrados 54,86 mm em 24 horas, correspondendo a aproximadamente 45% de toda a chuva da semana. Outro evento expressivo foi observado em 28/01, com 46,23 mm, elevando significativamente o armazenamento hídrico do solo. Nos dias seguintes, os volumes foram menores, com 19,05 mm em 29/01 e apenas 1,52 mm em 30/01, enquanto 25/01, 27/01 e 31/01 permaneceram sem registro de precipitação. Em média, a semana apresentou cerca de 17 mm/dia considerando todo o período, ou aproximadamente 30 mm/dia quando considerados apenas os dias chuvosos, evidenciando a concentração das chuvas em eventos de maior intensidade. Esse padrão reforça a importância do acompanhamento diário, pois poucos episódios são responsáveis pela maior parte do aporte hídrico, influenciando diretamente a infiltração, o escoamento superficial e as condições de manejo no campo.

O detalhamento horário da precipitação no dia 26/01 evidencia que a chuva ocorreu de forma intermitente, organizada em dois blocos com intensidades distintas. No período da manhã, entre 08h00 e 11h00, registraram-se precipitações fracas e contínuas, com intensidades inferiores a 2 mm h⁻¹, caracterizando essencialmente chuviscos, de baixo potencial de escoamento superficial e maior favorecimento à infiltração no solo.

A partir das 12h00, contudo, o evento ganhou intensidade, configurando o núcleo principal da tempestade. Nesse intervalo foi observado um acumulado horário de 24,38 mm, seguido de redução gradual da intensidade até as 15h00, quando ainda se registraram 3,56 mm. Nas horas finais ocorreram apenas precipitações residuais, da ordem de 0,25 mm por hora, encerrando o evento na forma de chuvisco. Esse segundo bloco concentrou a maior parte do volume diário e foi o principal responsável pelo total de 54,86 mm registrado no dia.
Do ponto de vista hidrológico, esse padrão (início fraco seguido de pico convectivo mais intenso) sugere maior probabilidade de geração de escoamento superficial e recarga rápida de pequenos cursos d’água no período da tarde, enquanto a chuva matinal contribuiu predominantemente para a umidificação do perfil do solo.









